Germano Rigotto: o que esperar do Brasil pós-impeachment?
Palestrante do último Workshop de Oportunidades, ex-governador gaúcho ajudou os associados da RS Óleo, Gás & Energia a vislumbrar os possíveis desfechos da atual crise político-econômica
Data da notícia: 03/05/2016 às 12:38

O Senado deve aceitar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Quando isso acontecer, o vice Michel Temer assumirá o comando do Planalto com uma missão altamente desafiadora: mostrar – em pouquíssimo tempo – que tem a competência e as condições necessárias para equilibrar as contas da União e recolocar o país no rumo do crescimento.

A questão que está em aberto é se ele terá sucesso nessa missão ou não. Se conseguir arrancar bem, Temer ganhará apoio político e poderá se consolidar como mandante de um governo de transição até as eleições de 2018. Se patinar, deixará brechas para a ocorrência de dois possíveis cenários. Em um deles – o menos provável –, Dilma Rousseff retornará ao Planalto após o afastamento de 180 dias previsto no rito de julgamento do impeachment. No outro – mais plausível –, serão convocadas novas eleições para escolher o presidente do Brasil.

Em linhas gerais, foi esta a leitura que o ex-governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, ofereceu aos associados da RS Óleo, Gás & Energia durante a edição de abril do Workshop de Oportunidades, realizado em parceria com o Sebrae|RS no último dia 25/abril. Experiente na vida política – além de governador, foi duas vezes deputado estadual e três vezes deputado federal –, Rigotto ofereceu aos ouvintes um olhar consistente sobre como a turbulência política de Brasília deve afetar o ritmo da economia do país ao longo deste ano.

O próximo Workshop de Oportunidades está agendado para o dia 23 de maio. Reserve a data!

Atual presidente do Instituto Reformar de Estudos Políticos e Tributários, Rigotto falou durante mais de uma hora sobre o que esperar da atual crise política e econômica que abate o país. Ele próprio admite que é impossível firmar certezas sobre o que irá acontecer de fato. Mas pelo menos uma tendência se mostra bastante provável desde já: a de que a instabilidade política perdure pelo menos até 2018, quando finalmente o Brasil terá a oportunidade de eleger seus novos representantes para o Congresso e o Planalto.

Confira, abaixo, os principais temas discutidos por Rigotto durante o evento da RS Óleo, Gás & Energia:

O impeachment de Dilma

Para Germano Rigotto, é certo que o Senado deverá votar pela admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Não só por causa do amplo apoio que o processo recebeu na Câmara dos Deputados, mas principalmente porque Dilma perdeu as condições políticas necessárias para governar. “A rigor, as pedaladas fiscais são um argumento insuficiente para sustentar o impeachment. O que realmente derrubou o governo Dilma foram os graves erros cometidos na condução econômica do país. O cenário internacional é ruim, o governo está sem sustentação no Congresso e na população como um todo, especialmente com o abalo de credibilidade causado pela operação Lava Jato”, explicou o ex-governador.

O futuro de Dilma e do PT

Rigotto destacou que há diferenças importantes entre o impeachment de Dilma Rousseff e o de Fernando Collor, ocorrido em 1991. “Não se encontraram, ainda, as digitais de Dilma na série de escândalos e crimes já comprovados pela Lava Jato. É diferente do que ocorreu em 1991, quando as acusações apontavam diretamente para a pessoa do presidente Fernando Collor”, enfatizou Rigotto – que era deputado à época. Essa diferença deverá pautar a atuação do PT e a própria postura de Dilma caso o impeachment seja levado adiante. Segundo Rigotto, a tendência é de que a militância petista reforce o discurso de que Dilma sofreu um “golpe de Estado” impetrado por oposicionistas acusados de corrupção – como é o caso do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. “É um processo de vitimização. Esse discurso prepara o amanhã do PT. É uma forma de agrupar forças para uma oposição muito intensa a qualquer um que vier a assumir o governo. A ideia é carimbar Temer e Cunha como líderes de um golpe”.

A oportunidade de Michel Temer

Se for alçado à presidência, Michel Temer terá pouco tempo – na verdade, 180 dias – para mostrar a que veio. E aí está o grande desafio do novo governo, segundo Rigotto: o de criar rapidamente um clima de retomada na confiança dos agentes econômicos. “Temer terá uma janela de confiança por parte dos agentes econômicos. Com essa janela aberta, precisará ter coragem para ser impopular. Isto é, para atacar o problema fiscal da União, cortar despesas, enfrentar as resistências ao aumento de tributos e sinalizar claramente que haverá redução no déficit público – com muitas medidas que vão justamente na contramão daquilo que precisaríamos para reaquecer a economia”, descreveu Rigotto. Outro ponto crítico será a estrutura de gestão escolhida por Temer. Para o ex-governador, Temer terá o desafio não só de reduzir o número de ministérios, mas também de qualificar os titulares de cada pasta. “Será preciso escolher quadros de excelência, com capacidade técnica reconhecida”, disse ele. Caso contrário, a “janela” de Temer logo se fechará.

As chances de recuperação econômica

Rigotto garantiu que é cedo para saber como a economia reagirá aos acontecimentos que emanam de Brasília. Mas fez questão de destacar que o Brasil continua com grande potencial para crescer e se desenvolver no longo prazo. Lembrou a abundância de recursos naturais, a diversidade econômica e até mesmo a posição privilegiada que o país ainda desfruta entre outros países em estágio similar de desenvolvimento. “A Rússia, por exemplo, tem conflitos em todas as suas fronteiras. A Índia sofre com conflitos étnicos e sociais internos. O Brasil é um dos poucos países que ainda se mantêm longe desse tipo de problema”, destacou.

Por Andreas Müller | República - Agência de Conteúdo

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Comentários
Luiz Vivian

Excelente Palestra!

Em: 04/05/2016 - 19:43:20

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